Desejo

Como a “vontade de explorar” não se confunde com a vontade de ter prazeres, então, em razão disso, preferimos, aqui, chamar de desejo de ser atraído como uma experiência indispensável de higienização. Se desejamos ser atraídos pelas estrelas ou por forças sociais é, sobretudo, para não nos tornarmos servos do excesso de vontade que vulgariza a existência humana. Desejamos nos despersonalizar, mesmo que tenhamos um vago sentimento disso, porque, deste modo, atendemos à exigência da vida. Contemplar o que nos atrai, seja por meio de uma bela canção ou de um grande filme, ou, então, por meio da droga ou de uma simples caminhada, pode nos tornar, enfim, lúcidos. Em vez de ideias que têm como base a opinião que reforça a vaidade (algo que se acentua a cada dia), vêm à tona pensamentos subversivos que exigem sacudir tudo o que é considerado como verdadeiro – incluindo, sem dúvida, o lamentável raciocínio do sujeito hedonista que quer tudo para si... Se nos tornamos lúcidos e mais corajosos para enfrentarmos certas forças sociais que reproduzem o esmagamento da humanidade é porque desejamos, o máximo que podemos, explorar mundos que, através da lente da consciência pragmática, só podem ser inabitáveis. Mas é somente daqui, ao habitá-los temporariamente, que pode surgir a “vontade de agir” ou a “vontade para gerar o novo”, que é, rigorosamente falando, o impulso.

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