Certeza

Quando se está trilhando um caminho que não foi percorrido por ninguém, é comum surgirem dúvidas e angústias concernentes ao que se está fazendo com a própria existência. Algumas pessoas nos alertam e querem nos persuadir sobre o que é melhor para nós, até se esforçam para apresentar um esboço imaginário do plano que é melhor para ser seguido, embora muitas delas se encontrem em uma situação completamente contraditória com o que pregam. Se, apesar de obstáculos desse tipo, aceitamos o risco de viver como ninguém até hoje viveu, e que certamente ninguém irá viver algum dia, acertamos as nossas contas, pagamos as nossas dívidas com o próprio passado – ele, o passado, não tem culpa de nada por sermos o que somos, pelos homens serem como são, pelo mundo, enfim, ser o que é. Mas ocorre, com o passar do tempo, um sentimento de uma estranha certeza, uma certeza incomum, que não se confunde com a certeza objetiva que obtemos pelo raciocínio. É impossível que ela seja deduzida inteligentemente, pois, por se tratar de uma “persuasão íntima”, nos impele a ir adiante, afirmando novos riscos, a não ressentirmos os nossos erros, a nos mantermos confiantes e corajosos no modo de viver que, com muito custo, conseguimos inventar. É uma certeza alegre que nos acompanha quando fazemos aquilo que queremos, do modo que queremos. Que falem, que critiquem, não importa o que até “os mais próximos” nos dizem sobre o “melhor” destino que podemos ter, pois a certeza nos faz desviar das “melhores sugestões”: ela, a certeza, nos faz abandonar certos hábitos ditos indispensáveis para a maioria das pessoas, e abraçamos com orgulho aquilo que é sentido como urgente, inadiável.

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